Topologia do saber: verdade do dizer, virtude no fazer. Ter parece Ser, mas, não-é. Opinião Crítica. Textos votados à reflexão filosófica e à busca da emancipação do Sujeito que É, já que Sou. Problema nenhum há em estar-além, o grave problema é mesmo ficar-aquém! Discordar com respeito é civilizado, mas refutar com elegância é superior!

segunda-feira, 5 de junho de 2017

GEHENNA

04/10/2003

REG:768.889 LIVRO:729 FOLHA: 531

"Silenciosamente você conhecerá a beleza, você conhecerá a verdade, você conhecerá o amor; amando você conhecerá o silêncio"
 (O livro Nod)

Não olhe seu semblante para amaldiçoar, pois sei da beleza de dentro da alma, e nenhuma maior há. Mas, oh, criança da noite, é só, e não tem jeito, "foste feito para ser desfeito"(id); não julgues com ódio, não olhes os defeitos.
Não sangre teus dentes, sujando teu coração, que a noite não foi uma escolha, mas uma maldição, e sei que te iras e rasgas, pela dor no coração, e não tentarei te impedir,não te direi que não, pois sei, será em vão.

Nem no colo da virgem, sequer no da prostituta, apenas provou seus fundos cortes e largos e ainda bebeu de teu próprio sangue, amargo. Amargo como o gosto da vida, que te apreende ao medo e te oferece em sacrifício aos vis. Alegria em ti não mais vi. Olhei-te nos olhos e não te reconheci, de tanta que os cobria, de tanto rancor que se lhes banhava. Tanto se pode ver, pelo que algo queria mas nada podia ter e até sua mais pura virgem negou-se a você.

Olhe meu rosto, o vermelho do meu olhar,
O que meus sedentos lábios querem provar.
Querem provas de amor, querem provas de comunhão, querem vinho, querem pão.
Querem arte e beleza, beijos de paixão,
Juras, pacto, silêncio, tesao.

Quero o frio, quero a noite,
Quero o ouro e a oração
Som de flauta, luz de velas,
Quero a flor em minha mão
Quero o livro dos segredos
E sossego para ler
Quero chuva e lua cheia
Quero-te, quero ter
Quero as gotas do orvalho
Quero o inverno glacial
O sereno congelado
E se aurora a boreal
Quero a sombra das lembranças
Os desejos mais profundos
Quero planos ocultos
Outros mundos

Ve-se a árvore crescer
Faz do fruto-coraçao
Sua seiva a escorrer
Desce o tronco até o chão
Cai na terra umedecida
Germinando o seu grão
Sintetiza à luz da lua
Sua multiplicação

Sinta arderem tuas veias
Sinta angústia e até pavor
Sinta a dor de teu desejo
Mas não chores por amor
Sinta medo e até tristeza
Sinta a morte, sinta dor
Mas retenha tua fraqueza
"nunca abrace por amor" (ibid.)

Olhe dentro de seus olhos
Sugue deles teu prazer
Mas não mostre tuas pupilas
Nunca as deixe ninguém ver
Diga bem, diga te quero
Minha criança ou minha flor
Mas não renda sentimentos
Nunca diga meu amor

Fellipe knopp

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